Busca no Blog ou na Web

23 de mar de 2010

A importância do trabalho em rede


Autonomia, horizontalidade, cooperação e democracia: eis os quatro elementos que caracterizam o trabalho em rede – uma poderosa estrutura direcionada à troca de informações, à produção de conhecimento e à disseminação de novas tecnologias.

Nas últimas décadas, a formação de redes vem sendo apontada por muitos especialistas como a mais significativa inovação humana no campo da organização social. Criadas como uma alternativa às estruturas em forma de "pirâmide" – nas quais a comunicação entre os integrantes acontece de cima para baixo, a partir de um topo – as redes, por outro lado, possuem uma lógica que permite a todos seus componentes ligarem-se de maneira "horizontal", ou seja, sem que nenhum de deles possa ser considerado o centro do processo.

De acordo com Francisco Whitaker, um dos mais importantes pensadores sistêmicos da atualidade, a principal vantagem das estruturas em rede está relacionada à distribuição dos poderes decisórios numa organização: "Em redes não há um chefe, o que há é uma vontade coletiva de realizar determinados objetivos, pois todos decidem sobre suas próprias ações, e não sobre ações de terceiros".

Sob o ponto de vista da atividade turística, portanto, este modelo está intimamente ligado à ideia de "comunidade", ou seja, da "existência de uma cultura associativa entre indivíduos com interesses iguais" – o que confere a essas estruturas um grande dinamismo no que tange à disseminação de informações, à troca de experiências e à produção descentralizada de inovações.

Em outras palavras, por meio da formação de redes, os atores são capazes de reduzir custos, dividir riscos, qualificar seus produtos e conquistar novos mercados, garantindo, assim, a viabilidade e o desenvolvimento do turismo em suas regiões.

Por tudo isso, a prática do trabalho em rede, no Brasil, está incorporada ao Programa de Regionalização do Turismo, desenvolvido pelo MTur, sendo concebida como uma estratégia de fundamental importância no apoio ao desenvolvimento turístico regional. Afinal, ao facilitar a atuação compartilhada entre os atores locais – através da formação dos Comitês Gestores –,  as redes estimulam o surgimento de novas parcerias, além de fortalecerem a sinergia no processo de planejamento e execução das ações.

3 comentários:

  1. A ação "Rede de Cooperação Técnica para a Roteirização Turística" é um exemplo de trabalho em rede e está na sua segunda edição com 10 roteiros estruturados.

    ResponderExcluir
  2. Em um DESTINO INDUTOR a cooperação dos atores locais do turismo é o fortalecimento da governança.

    ResponderExcluir
  3. Muito bom ver essa nova perspectiva por trás do desenvolvimento do Turismo. Depois de 10 anos afastada do meio turístico, me sinto bastante estimulada a continuar! :-)

    ResponderExcluir